−Será que é:
- a. Seicheles
- b. Líbia
- c. África do Sul
- d. Botsuana
- e. Maurício
+E a resposta é...
Voltando ao filme, Wakanda é uma nação riquíssima que se mantém escondida do resto do mundo. Como nação escondida e humilde, seus moradores não conhecem a guerra, já que, aos olhos do mundo, eles não têm nada que valha a pena tomar. De algum jeito, essa utopia mistura sem esforço natureza e tradição com brinquedos e moda modernos.
Vamos ver os nossos cinco concorrentes ao título de Wakanda na Terra. Esses cinco são as nações mais ricas da África em PIB per capita. Eliminamos as Seicheles por causa da tradição. Por mais lindas que sejam, a tradição se constrói ao longo de milênios, enquanto as Seicheles, mais novas que os EUA, só receberam seus primeiros habitantes permanentes há poucos séculos. Maurício também é eliminado por causa da tradição. Lar de uma cachoeira submarina única, a ilha só recebeu seus primeiros habitantes permanentes recentemente. A Líbia está mergulhada numa guerra civil, em parte graças aos seus recursos, bem conhecidos do mundo todo, então não pode ser a Wakanda na Terra. Ao contrário de Wakanda, a riqueza da África do Sul é conhecida no mundo inteiro. É a terra dos diamantes, então tem que ser eliminada da competição.
A grande vencedora, portanto, é Botsuana. Há pouco mais de uma geração, era uma das nações mais pobres do mundo, quase lá no fundo. Hoje é a encarnação do afrofuturismo e um modelo para o mundo, cumprindo cada um dos atributos da Wakanda fictícia. Sempre fiel às suas tradições. Este país é três vezes maior que o Reino Unido, mas tem só cerca de 2 milhões de habitantes. O que falta em população, sobra em elefantes. Mais de 130.000 dos maiores animais terrestres do planeta vivem aqui. É o maior número do mundo. A maioria dos outros animais africanos conhecidos vive no imenso deserto do Kalahari, o que faz daqui o refúgio ideal para um safári. Botsuana para sempre.
+Um tour rápido pelo museu, com pérolas de sabedoria incluídas
Antes de chegar à grande atração de Botsuana, as reservas de vida selvagem, temos que voar até o país. E que lugar melhor do que sua linda capital, Gaborone? Lá fica o Museu Nacional e Galeria de Arte, que abriga uma coleção de artesanato tradicional de Botsuana e de objetos históricos. O próprio prédio é uma mistura simples e perfeita de estilos modernos e antigos, com terraços ao ar livre, pátios enormes e mirantes, que apresentam ao visitante o que torna o país especial.
+ A lenda do kwaito
Botsuana é conhecida pelo kwaito, um gênero musical sul-africano que nasceu com o fim do apartheid. Um desses artistas de kwaito de Botsuana é Vee Mampeezy, nome artístico de Odirile Sento. Ele é um artista premiadíssimo, com músicas que grudam na cabeça. Seu som também se espalhou por outros países africanos. Nascido na capital em 1983, Vee Mampeezy começou a carreira musical cedo, com um som que muitos descrevem como um modelo de afrofuturismo na música.
Ouça as músicas dele aqui.

+ Da ciência avançada
Tanto na medicina quanto na política, surgiu uma heroína local que mostrou o poder de ações que acompanham as palavras. Suas descobertas científicas decisivas tiveram um papel importante na redução da mortalidade materna e infantil, além da prevenção e do tratamento da aids em Botsuana. Graças a esses esforços, Botsuana tem hoje o dobro da taxa de natalidade dos países europeus. Além disso, esses avanços melhoraram muito a saúde e a educação das mulheres no país. Tanto que, segundo o GEM, mais de um terço dos empreendedores do país são mulheres, mais que o dobro da média mundial. Um feito realmente impressionante, que equilibra a alta taxa de natalidade. Talvez seja por isso que os moradores de Botsuana ficam ou voltam, já que o país tem migração líquida quase zero (pessoas que saem do país menos pessoas que entram). Perfeitamente equilibrado, e a prova de um país que cuida dos seus cidadãos, tenham eles nascido lá ou imigrado para lá.

+ A rainha da beleza
No auge da crise do HIV/aids, Botsuana foi um dos países mais duramente atingidos do mundo. Quase um em cada quatro adultos estava infectado, o que fez a expectativa de vida despencar de 61 anos no fim dos anos 1980 para apenas 47 no fim dos anos 1990. Hoje em dia as coisas estão bem melhores; a expectativa de vida voltou a subir para cerca de 66 anos. Na seção anterior, falamos de uma médica brilhante que passou a maior parte da vida lutando contra a aids. Mas a ciência também precisa de um porta-voz para “vender” suas invenções, então agora celebramos uma porta-voz fundamental na luta contra a aids, que ajudou a dar início a essa virada impressionante.
Mpule tinha 19 anos quando levou o título de Miss Universo, em 1999. Um ano depois, já tinha se tornado Embaixadora da Boa Vontade do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para Botsuana. Em novembro de 2000, ela lançou sua própria iniciativa com sede em Botsuana, a Fundação MPULE, e embarcou numa missão para combater a epidemia de HIV/aids. Passava o tempo percorrendo Botsuana e estimulando mudanças positivas de comportamento entre os jovens.
Dez anos depois de abrir sua fundação original, ela se tornou CEO da sua organização, o Instituto MPULE para o Desenvolvimento Endógeno. Com sede em Nova York, o ponto-chave desse think tank, entre outras coisas, é o investimento em programas inovadores de desenvolvimento agrícola.
Muitas vezes a gente percebe que a beleza, por mais subjetiva que seja, abre muitas portas, porque é um caminho para o reconhecimento de muitos homens e mulheres. Mas costuma ser reservada a poucos. No fim das contas, a diferença entre a popularidade passageira e a influência duradoura está em quanto você sabe aproveitar essa vantagem. E ela, sem dúvida, aproveitou ao máximo.
+O melhor da natureza em um vídeo do YouTube
Como moro num destino turístico com várias salinas, a reação mais comum que vejo nos visitantes é uma curiosidade que, para mim, é coisa normal. “Que diabos é aquilo?”, perguntam, olhando os bandos de aves migratórias que se juntam de vez em quando, principalmente flamingos, sobre uma enorme extensão do que parece areia branca, com poças de água espalhadas aqui e ali. Essa areia branca, na verdade, é sal. Isso porque a maioria das pessoas nunca vê essas paisagens. Antigamente, era aqui que as pessoas iam buscar seu sal. Bem-vindo a Botsuana, o país sem saída para o mar onde há salinas maiores que muitos países. O engraçado é que eu moro em Naxos, na Grécia, e os turistas vivem me perguntando sobre as salinas que temos aqui, e eu nunca tinha dado a mínima para elas. As de Botsuana são outra história. Por isso, o desconhecido deste episódio são as Salinas de Makgadikgadi. É aquela coisa que você nunca viu e que não dá para descrever na primeira vez que vê. Essas salinas imensas estão entre as maiores do mundo e cobrem milhares de quilômetros quadrados. Na estação seca, dá para ver uma imensidão branca digna de cinema. Na estação das chuvas, oásis brotam por toda parte e atraem animais com sede, como zebras, gnus e flamingos.
+Curiosidade
Toda cultura tem seus mitos da criação, suas histórias, teorias científicas etc. Mas todos têm uma coisa em comum: o “Jardim do Éden”, onde surgiram os primeiros seres humanos, ficava na África. Aqui em Botsuana, eles mostram isso com as Colinas de Tsodilo. Já imaginou ver pinturas de verdade com 26.000 anos gravadas em rocha natural, cavernas e penhascos, tudo no ponto mais alto de Botsuana? Coloque isso em perspectiva e perceba que a escrita só começou há cerca de 7.000 anos, assim como a agricultura, mas a arte, e a vontade de fazê-la, existe desde o começo da humanidade.
+O que o Trip Advisor me manda fazer
O Trip Advisor sugere todo tipo de passeio na natureza, mas no topo da lista está o Delta do Okavango. É a fonte de água do deserto do Kalahari. O Delta do Okavango, muitas vezes chamado de “Joia do Kalahari”, é um grande delta interior no noroeste de Botsuana. É uma área úmida única, que “pulsa”, onde o rio Okavango chega a uma fossa tectônica na parte central da bacia endorreica do Kalahari. Em vez de desaguar no mar, o rio se derrama sobre as areias do deserto do Kalahari, irrigando 15.000 quilômetros quadrados de deserto. O Delta do Okavango se estende por alguns países, mas predomina no norte de Botsuana. Ele é especial porque é a fonte de água do deserto do Kalahari e de tudo o que vive lá. O pico do volume de água vai de junho a agosto e, para o turista, isso significa que todo bicho humanamente possível de Botsuana se reúne ali, o que faz dele o lugar ideal para um safári. Quantos são? 200 espécies de mamíferos e 400 espécies de aves.
Isso dá muito momento de Instagram. Lembre que Botsuana não tem saída para o mar, ou seja, o Delta do Okavango nem sequer deságua num oceano ou mar, uma raridade neste planeta. Quando não chove, de algum jeito, as cheias acontecem na estação seca.

+O restaurante perfeito em casa
Quem não gosta de uma carne desfiada? Tá bom, todo mundo sabe que tem muita gente que não come carne, e que essas pessoas têm opções em Botsuana, mas precisam driblar o prato mais famoso do país, o seswaa. O seswaa é um ensopado de carne bem substancioso que lembra o pulled pork, a carne de porco desfiada, mas é feito com carne de boi, de cabra ou de cordeiro, cozida com cebola e pimenta até ficar macia. Depois a carne é desfiada e cozida mais um pouco em fogo baixo, até chegar a uma consistência perfeita e suculenta.
+Referências e resumo do roteiro
Facebook (Vee Mampeezy), Botswana Harvard Health Partnership (Dra. Sheila Tlou), KA Digest (Mpule Keneilwe Kwelagobe), Okavango Delta.com, UNESCO (Tsodilo)
Os créditos das fotos aparecem em cada foto. As outras imagens foram geradas por IA com o Grok Imagine e o Claude e são ilustrativas, não factuais.
